Ângelo Beck

O verdadeiro Coelho da Páscoa

Postado em 21 de Março de 2019

Por Ângelo (administrador)

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O verdadeiro Coelho da Páscoa

Era uma vez uma mamãe coelha que tinha sete filhinhos.

A Páscoa se aproximava, e a mamãe coelha queria saber qual dos seus filhinhos era o verdadeiro Coelho da Páscoa. Preparou uma cesta com lindos ovos coloridos. O verdadeiro coelho da páscoa seria aquele capaz de levar seu ovo até o jardim de infância, que ficava na vila, depois da ponte, depois da floresta.


O filho mais velho escolheu logo o mais valioso dos ovos: o ovo dourado. Segurou-o bem firme entre os braços e saiu correndo.

Era obstinado e corria com tanta pressa, que, se algum animal da floresta tentou chamá-lo, certamente ele não ouviu. Rápido como uma flecha ele atravessou a floresta, e mais rápido ainda atravessou a ponte. Entrou na vila e logo estava diante do portão do jardim. Reuniu todas as suas forças e deu o maior salto da sua vida.

Foi realmente um salto formidável! Bem mais alto que o portão do jardim. Porém, ao cair, desequilibrou-se e acabou quebrando o ovo dourado.

Voltou para casa furioso! E se algum animal da floresta quis chamálo, certamente ele não ouviu.

Este não era o verdadeiro coelho da páscoa.


O segundo coelhinho escolheu o mais bonito dos ovos: o ovo prateado, mas não saiu correndo como seu irmão mais velho. Foi caminhando muito sério pela floresta, tomando cuidado com aquele ovo tão reluzente e precioso.

O lobo, ao ver de longe o coelhinho, sentou-se à beira do caminho e ficou à sua espera. Quando se aproximou, o lobo interpelou-o, dizendo:

- Que tesouro lindo é este que carregas com tanto cuidado?

- Ah - Respondeu o coelhinho - É o ovo de páscoa que devo levar até o Jardim, que fica na vila, depois da ponte, depois da floresta.

- Deve ser muito precioso - retrucou o lobo - Eu lhe dou uma moeda de ouro em troca deste ovo.

O coelhinho pensou consigo: "É uma troca realmente vantajosa". E aceitou a proposta do lobo.

O lobo conduziu-o até sua toca. Mas, ao invés de apresentar-lhe uma moeda de ouro, o lobo apresentou seus dentes grandes e pontudos, dizendo:

- Passa pra cá este ovo e corre o quanto pode. Senão terei coelho no almoço e o ovo de sobremesa!

Voltou para casa com tanto medo, que seu coração parecia que ia saltar pela boca.

Este não era o verdadeiro coelho da páscoa.


O terceiro coelhinho escolheu o ovo que tinha a cor mais viva: o ovo vermelho.

Este coelhinho era tão brincalhão, que quando o lobo ofereceu-lhe uma moeda de ouro em troca do seu ovo, ele respondeu em tom de troça:

- Éca seu lobo! As crianças vão quebrar os dentes se tentarem comer uma moeda de ouro!

O lobo ficou desconcertado e, sem saber o que responder, foi embora para sua toca resmungando.

O coelhinho continuou saltitando alegremente, rindo da troça que tinha feito com o lobo.

No caminho, encontrou outro coelinho que, ao vê-lo tão alegre, convidou-o para brincar.

- Agora não posso - respondeu o coelhinho - preciso levar este ovo até o jardim, que fica na vila, depois da ponte, depois da floresta.

- Só um pouquinho - insistiu seu amiguinho.

Então o coelhinho deixou seu ovo vermelho escondidinho embaixo de um arbusto e começaram a brincar.

Começaram a mais divertida das lutas. Davam-se socos macios um no outro, Abraçavam-se e rolavam pela relva.

Mas, rola para cá, rola para acolá... acabaram rolando por cima do ovo vermelho, que se esmigalhou fazendo crec.

Assustado, o coelhinho percebeu que havia se distraído da sua tarefa tão importante, e voltou para casa de mãos vasias.

Este não era o verdadeiro coelho da páscoa.


O quarto coelhinho escolheu o ovo que tinha a cor da floresta: o ovo verde.

A gralha sentada em seu ninho, viu ao longe o coelhinho que carregava seu ovo verde com muito cuidado.

Desconfiado, o coelhinho olhava para um lado e para o outro, como se a qualquer momento a dona raposa pudesse saltar sobre ele.

Quando se aproximou, a gralha gritou lá do alto:

- Coelhinho, tome cuidado! A raposa está se aproximando!

O coelhinho ficou apavorado. Arregalou os olhos e pediu socorro à gralha:

- Me ajude dona Gralha! Onde hei de esconder este ovo?

- Pode deixar que eu o guardarei bem guardadinho aqui no meu ninho. - respondeu ela. Veio voando, pegou o ovo verde das mãos do coelhinho e levou-o para seu ninho.

O coelhinho ficou muito tempo escondido em uma moita, mas cadê a raposa? Não apareceu raposa alguma. Era tudo mentira da dona gralha.

E como o coelhinho não sobe em árvores, teve de voltar para casa de mãos vasias.

Este não era o verdadeiro coelho da páscoa.


O quinto coelhinho escolheu o mais cheiroso dos ovos: o ovo de chocolate.

Ia ele andando pela floresta quando encontrou-se com o esquilo.

- Que ovo cheiroso - disse o esquilo - deixa-me dar uma lambidinha?

- Não não não! - Respondeu o coelhinho - Este ovo eu preciso levar ao jardim, que fica na vila, depois da ponte, depois da floresta.

- Só uma lambidinha! Insistiu o esquilo. E, de tanto insistir, o coelhinho acabou cedendo.

- Mais uma lambidinha - continuou insistindo o esquilo com seus olhinhos cheios de prazer.

O coelhinho concentiu, e logo ele mesmo resolveu experimentar e também deu uma lambidinha.

Era realmente um chocolate delicioso, e, lambe de cá, lambe de lá, foram lambendo até não sobrar ovo nenhum.

Não tendo mais o que levar ao jardim, o coelhinho voltou para casa de barriguinha cheia e mãos vasias.

Este não era o verdadeiro coelho da páscoa.


O sexto coelhinho escolheu o mais nobre dos ovos: o ovo cinza.

Se orgulhava de pensar que ele logo seria reconhecido como o verdadeiro coelho da páscoa.

Atravessou a floresta sem dar importância ao que os outros bichinhos lhe diziam.

Ao atravessar a ponte, debruçou-se sobre o parapeito e viu seu reflexo na água.

- Que coelhinho lindo eu sou - pensou consigo mesmo - Bem que poderão fazer um belo retrato meu: o mais bonito coelho da páscoa. Depois as crianças vão dizer que é a minha imagem que elas vêem brilhar lá na lua; e vão me pintar em seus desenhos, e vão enfeitar suas casas com a minha figura...

E divagando assim sobre o quão era belo, foi se debruçando mais e mais sobre o parapeito da ponte até que o ovo escorregou e caiu dentro do rio.

Desapontado com sua própria distração, voltou para casa de cabeça baixa.

Este não era o verdadeiro coelho da páscoa.


O sétimo coelhinho era o menor dos irmãos. Ele escolheu o ovo azul.

Foi caminhando pela floresta sem correr, mas sem se distrair. Ao passar pela ponte não olhou nem para a direita nem para a esquerda. E, ao chegar em frente ao portão do jardim, mediu sua altura com os olhos, e deu um salto nem muito grande, nem muito pequeno.

Caiu suavemente no chão, e aí pôde esconder o ovo azul entre as flores do canteiro.

Tão logo terminou sua tarefa, voltou para casa com o coração cheio de alegria.

Este sim era o verdadeiro coelho da páscoa.

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